Colhendo Abobrinhas

No final do ano passado, fiquei alguns dias visitando minha família, e aqui mostro retratos de um dia no nosso sítio, entre Farroupilha e Carlos Barbosa, colhendo abobrinhas e suas flores, e depois testando duas receitas com elas: Bolo de Abobrinha com cobertura de Ricota com Mel e Flor de Abobrinha Frita recheada com Ricota e Manjericão.

Peguei o gosto por cozinha há muito tempo, então ter um sítio com uma horta bem cuidada é muito especial. E agora com o Cozinha Dal Bó sempre que vou pra lá tento arranjar um tempo para fazer algumas receitas especiais com coisas que eu mesmo posso colher. A relação com os ingredientes nessas experiências é completamente diferente. Passei a minha infância fazendo isso, então pra mim já foi normal, mas imagino que muita gente não, assim como não é pra mim hoje que moro nessa loucura de São Paulo. Colher sua própria comida, isso sim eu considero uma experiência de luxo.

Graças ao meu tio engenheiro, mas cujo hobby é ser agricultor e cuida das hortas como ninguém, lá no sítio sempre tem alguma coisa produzindo, seja temperos (tem um alecrim que é quase da minha altura), alcachofras, várias saladas (a melhor baby rúcula que já comi), seja as favas que usei nessa receita aqui. Ou então o mel que usei no bolo, que tinha sido colhido lá fazia apenas dois dias, mais fresco e puro impossível. Tudo 100% orgânico de verdade, com gosto de comida de verdade. Sinto muita saudade de não ter mais salada e legumes direto do sítio toda semana em casa.

Nesse dia que passei lá, foi dia de colher abobrinha. Pegamos o trator, meu irmão no volante e meu pai e eu na caçamba, e fomos até onde meu tio havia plantado uma carreira de abobrinhas, que estavam todas produzindo. Abobrinhas verdes de todos os tamanhos e suas maravilhosas flores. A beleza da flor com a abobrinha nascendo logo depois dela é incrível. Pra quem não conhecia a flor da abobrinha como comida, é bem típica na Itália. Aqui já é bem mais raro, mas minha mãe disse que minha nona fazia muito em casa. Pena não peguei a receita dela.

Cozinha Mineira da Cynthia

A convidada de hoje do Cozinha Dal Bó é ninguém mais ninguém menos do que uma das pessoas que divide a cozinha comigo todos os dias: minha roommate Cynthia. E a receita dela é esse verdadeiro banquete mineiro.

A Cynthia trabalha com mídias sociais e produção. Além de ser musa do instagram, famosa no rap e cozinheira de mão cheia. E muito mais do que isso também. A Cyn é minha companheira do dia a dia, que assiste novela comigo, me ajuda como assistente quando o Cozinha Dal Bó decide montar uma banquinha e me acalma quando eu fico desesperado que não vou dar conta de tudo que tenho que cozinhar.

É ela (junto com a Marina) que sofre com a minha invasão constante e minha bagunça permanente na cozinha aqui do apartamento, mas também aproveita a comilança depois, mesmo reclamando que vai engordar (o que acho que nunca vai acontecer porque ela é magra de ruim).

Mineira em todos os sentidos, como na fala com seus uais e trens, e nos gostos com muita pimenta, cerveja e pinga. E muita comida mineira também. Com ela que eu aprendi a comer quiabo, que eu conheci jiló, e mais um tanto de outras coisas que não faziam parte da minha realidade. Por isso que há tempos estava querendo que ela fizesse um almoço mineiro bem típico para o blog, e finalmente ela fez. Frango com Quiabo, Angu, Jiló e Couve, e pra beber pinga e cerveja, bem como manda a tradição. Tudo maravilhoso, bem temperado, bem caseiro e bem do jeito que a mãe dela faz. Pois foi com a mãe que ela aprendeu a cozinhar tudo isso, além de um monte de outras receitas mineiras que eu tô louco pra que ela me ensine também. Mas a Cyn só se aventurou na cozinha de verdade depois que teve que se virar sozinha e cozinhar pra ela mesmo, quando se mudou pra São Paulo. Aí que começou o curso de culinária mineira por telefone com sua mãe. E valeu a pena, porque  ficou, como ela mesmo fala, Nuh! Bom demais!

Brigado Cyn <3

Cozinha da Luísa

Ainda na minha última visita ao Sul, visitei a cozinha da minha amiga Luísa, em Carlos Barbosa. Fui até a casa dela para aprender uma receita de Cupcake, porque, afinal de contas, todo blog de culinária precisa de uma. Como nunca tinha feito cupcake na vida fiz questão de aprender uma profissional no assunto, que me passou essa receita aqui. Luísa adora cozinhar doces, de bolos à biscoitos, cupcakes e etc. Seus amanteigados e gingerbreads são tradição na época no Natal. Ela tem uma coleção impressionante de formas de biscoito, corantes, glitters e outras belezas da decoração de doces. Confesso que fiquei com inveja.

Luísa é arquiteta, e trabalha com minha prima Mirela, que ajudou a gente, junto com minha irmã Leticia e o gato Sérgio. No fundo acho que a qualquer momento ela pode largar essa vida de arquiteta pra virar doceira. Eu apoio 😉

Cozinha da Helena e da Martina

O post de hoje é muito especial, Cozinha Dal Bó Visita uma cozinha com duas convidadas ilustres: as gêmeas Helena e Martina, filhas da minha amiga Sandra. Numa ida ao sul, visitei sua cozinha, para fazermos um bolo numa tarde de inverno, mas para minha alegria, quem cozinhou juntinho comigo e me ajudou o tempo inteiro foram essas duas mini-chefs. Sandra mora em Farroupilha, RS, com o marido Nilo.

Foi a primeira vez das meninas na cozinha e foi lindo, peneirando e mexendo quase tudo sozinhas e atentas ao que eu fazia também. Não desgrudaram o olho um segundo sequer e quando o bolo foi ao forno, de 5 em 5 minutos alguma perguntava se já estava pronto. Até que ficou, e foi uma alegria! Todo mundo comeu com gosto.

Essa foi provavelmente uma das experiências mais lindas que eu já tive na cozinha, e com certeza irei voltar para cozinhar mais com elas. A atenção e a curiosidade à tudo que acontecia e os olhinhos brilhando com o bolo pronto. Aconselho a todo mundo que tem filho (ou sobrinhos, primos, netos) a levar para a cozinha de vez em quando, além de um tempo certamente divertido, ensina muito para os pequenos sobre comida de verdade e o prazer de fazer algo com as próprias mãos. O que faz tanta falta hoje em dia.

O bolo, por sinal, ficou incrível! Uma receita que vou guardar, um clássico Bolo de Chocolate, simples, fácil, fofinho e saboroso. Se essas duas conseguiram me ajudar a fazer essa receita, ninguém tem desculpa pra não tentar fazer em casa!

Dia de Feijoada, Cozinha da Tais

Tais é outra cozinheira de mão cheia que eu tive o prazer de compartilhar a cozinha nessas minhas investigações gastronômicas. Mão cheia de alegria, cheia de tempero e cheia de amor pela comida. E também de bom humor misturado com mau humor e uma língua afiaaada, o que resulta em um tempo beeem animado na cozinha. A Tais trabalha na casa da Maeda, que abriu as portas da sua cozinha para mais uma visita do Cozinha Dal Bó. E foi nessa visita que eu finalmente aprendi a fazer uma Feijoada tradicional completa.

O dom pra cozinhar está no sangue, já que a Tais é irmã da Pati Petit, e ambas aprenderam a cozinhar com a mãe delas, a Dona Santa. Tradição familiar. Na qual eu me meti no meio para aprender também.

E uma bela feijoada pede caipirinha de limão e cachaça. É a bebida ideal e combina perfeitamente bem. E a maravilhosa jarra de caipirinha presente no dia foi feita pela Jack, babá do Antonio.

E, na companhia da Maeda, do Antoninho, da Pati Petit e do Julinho, foi assim que passamos uma bela quarta-feira, que é o dia oficial da feijoada em São Paulo. Feijoada e caipirinha, combinação que, na minha opinão, devia ser obrigatória uma vez por semana.

Cozinha da Pati Petit

A Pati é uma das melhores cozinheiras que eu conheço! Minha musa inspiradora. Daquelas cozinheiras de mão cheia, que cozinha por instinto, que cozinha o que vier pela frente, sem medo ou receio, e sempre acerta. Cozinha de mãe, cozinha de amor, Cozinha Afetiva, como descreveu tão perfeitamente nossa amiga Kamilinha. É cozinha que transborda afeto e paixão em cada receita, em cada garfada. Petit não é o seu sobrenome, mas sim um apelido que a gente deu, levemente irônico, porque na sua cozinha nada é petit ou pequeno ou comedido, tudo é grande, é muito, é ótimo.

Ela me ensinou a fazer a sua famosa e maravilhosa Torta de Frango e um Bolo de Milho com Coco super rápido e delicioso.

A Pati agora tem um ajudante especial na cozinha, o Júlio, ou Julinho. Que agora faz parte do Petit, e participou ativamente do nosso dia de cozinha, revezando entre o colo da mãe, o meu colo e a TV tocando Palavra Cantada. E assim a cozinha da Pati, que já era afetiva, ficou infinitas vezes mais afetiva. Amor de mãe, cozinha de mãe!

Cozinha da Maeda

Esta é a Cozinha da Maeda, e também do Paulo e do Antonio.

Há quatro anos considero eles a minha família adotiva de São Paulo, e por isso é um prazer e uma alegria mostrar um pouco dessa história aqui.

Maeda é planejadora, pesquisadora e contadora de histórias. Paulo é animador e dono da Birdo, studio de animação. Juntos eles têm o Antonio, ou Antoninho, Sapi, Pili, Pilili, Ogrício entre outros apelidos. E moram todos nesse apartamento em São Paulo, nos Jardins.

O apartamento é lindo, os móveis são lindos, os objetos são lindos, mas a atração da casa para mim é o balanço no meio da sala. O sonho de toda criança, pequena ou grande, e meu assento preferido no apartamento.

A Maeda nunca se interessou muito pela cozinha, pra falar a verdade. Mas o que dizem por aí é verdade, filho muda tudo, e assim que o Antonio começou a comer comida de verdade, ela sentiu vontade de começar a cozinhar para ele. E entre papinhas, carninhas e ovinhos mexidos, ela aprendeu a fazer essa receita que ela me ensinou: o Bolo Toalha Felpuda (ou Felpooda como a gente gosta de falar), um bolo de coco gelado, e bom pra caramba.

A história por trás dessa é uma bela história de cozinha. Na infância da Maeda, lá em Goiânia, a grande moda nas festas infantis era as mães aprontarem um grande bolo de isopor, uma espécie de caixa “fantasiada” de bolo toda decorada, e esconder dentro dela pequenos pedaços de bolo de coco gelado, embrulhados em papel alumínio.

E assim que foram acontecendo os primeiros mesaniversários do Antonio, ela começou a pesquisar receitas para aprender e ir testando para fazer no seu aniversário de um aninho (mas no fim quem fez o bolo fui eu, e foi esse aqui).

Mas eis que quando ela estava ainda em busca da receita, ela começou a procurar também algumas babas para o Antonio. E um dia ela conheceu a Jack, que na primeira conversa falou que sabia fazer um Toalha Felpuda ótimo. E foi assim (não só por isso, é óbvio) que ela virou a babá do Antonio, e ensinou essa receita pra Maeda.

Cozinha da Néi

A segunda cozinha que eu visitei foi a da minha vó, ou melhor, da Néi. Desde que comecei com a ideia de visitar pessoas para retratar um pouco das cozinhas por aí sempre soube que essa seria uma das primeiras. A cozinha onde passei boa parte da minha infância. Com exatamente a mesma mesa onde fiz incontáveis refeições, desde os cafés da manhã com papinha de pão e nescau até os jantares de inverno com uma boa sopa de capeletti.

A Néi é minha vó querida do coração por parte de pai. Mas desde que nasci, nunca a chamei de vó, e sim de Néi. E, como fui o primeiro neto, o apelido carinhoso pegou, e a Nélie Mansuetta Guerra Dal Bó virou a Néi. Vaidosa que só ela, com certeza vou ouvir ela dizer que o cabelo dela não está do jeito que ela quer, provavelmente ela fale isso num email, Néi é vó conectada. Mas já adianto Néi: tá lindo sim e não tá parecido com o da Nina Hagen como você sempre diz.

Eu poderia ter fotografado o seu feijão, arroz e guisado (que ainda é o melhor feijão que eu já comi), ou então a sua famosa Pizza de Sardinha, com uma receita de mais de 30 anos (essa vai ser a próxima). Mas a que eu pedi especialmente para a Néi me ensinar foi a Cuca de Banana com Goiabada, que faz parte da minha história e queria que fizesse parte do meu repertório de receitas.

A cozinha da Néi é daquelas cozinhas de vó que contam histórias através dos objetos. Como por exemplo o conjunto de chá do seu enxoval de casamento e as marcações das alturas de todos os netos ao longo dos anos atrás da porta. Fora as louças que são lembranças da minha infância e de todas as refeições maravilhosas que eu já fiz nessa mesma cozinha, desde que eu nasci.

Mas o mais emocionante de todos provavelmente é o livro de receitas que meu avô escreveu para ela, com as próprias receitas dela, lá pela década de 60. Com uma caligrafia perfeita de caneta tinteiro e o português da época, uma relíquia da história gastronômica da família Dal Bó.

Cozinha da Maíra

Este é o primeiro post da sessão Cozinha Dal Bó Visita. Meu desejo de agora em diante é visitar todos meus amigos e parentes, e quem mais quiser participar, para registrar a vida das suas cozinhas, o ar das suas casas e trocar receitas desde especialidades, heranças de família e novas descobertas.

E para inaugurar, esta é a Cozinha da Maíra! A maravilhosa cozinha amarela.

A Maíra, minha amiga do coração, é jornalista e trabalha como planejadora e pesquisadora. Seu marido Rica, é diretor de vídeo. Juntos eles moram nesse lindo apartamento em Pinheiros, aconchegante e cheio de luz.

Caixas de feira, ilustrações, fotos de viagem, móveis antigos e contemporâneos, lembranças de todos os lugares que visitaram, uma mistura que deixa a casa deles exatamente do jeito que eu amo. Fora a luz intensa que entra pela cozinha, e deixa tudo mais vivo.

Mas a atração da casa, para mim, é a cozinha amarela, que foi inspirada pela cozinha que já existia no apartamento quando eles compraram para reformar.

A Maíra é uma cozinheira de mão cheia, mas gosta mesmo de fazer salgados. Não é muito fã de cozinhar doces, já que não gosta de medir nada, o olho e a experiência que importam. Nessa visita, ela me mostrou duas receitas, a meu pedido, porque já era apaixonado por elas.

Uma é o Pão de Mandioquinha, um pão quase bolo, levemente adocicado, e com aquele gosto maravilhoso de mandioquinha. O mais lindo dessa receita, com certeza, é que Maíra aprendeu com a sua avó. Apaixonada pelas receitas da avó, Maíra pediu para ela escrever um livro de receitas para ela. E ela fez! Escreveu à mão, dois cadernos, com receitas doces e salgadas. Para seu azar, os outros netos descobriram e ela teve que escrever mais 5 cópias de cada caderno. Provavelmente cansativo, mas certamente com aquele amor adocicado de vó.

E a outra receita é a Maminha na Cerveja Preta, que aprendeu com uma amiga, e virou uma das receitas que mais aparecem na sua cozinha. Uma das receitas de carne mais fáceis que já fiz, juro, e com um resultado sensacional, saborosa e com pedaços de carne que se desmancham.

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