Verão no Sítio – Serra Gaúcha

Entre Natal e Ano Novo passei uns dias com a minha família, na Serra Gaúcha. Durante a ceia de Natal, meu primo Vicente, um ótimo pescador, disse que iria pescar no dia seguinte. Disse pra ele que se ele prometesse pescar alguns peixes grandes faria um almoço no sítio para todo mundo.  Decidi fazer algo um pouco diferente do churrasco nosso de cada dia, usando o máximo de coisas do sítio que conseguisse. Além do Peixe na Grelha, teve Quinoa com Ervas e Sementes, Alho-Poró na Grelha e Blueberries Assados de sobremesa.

Já falei do sítio em outros momentos, como neste post aqui de uns anos atrás. Quando escrevi aquele post recém tinha terminado de ler um livro do Michael Pollan que mudou bastante meu jeito de encarar a alimentação. Coincidentemente, acabei de começar um outro livro dele, mais antigo, e um dos mais famosos dele, ‘O Dilema do Onívoro’, onde ele estuda a nossa cadeia alimentar atual, percorrendo todo o caminho que os alimentos fazem antes de chegar na nossa mesa.

O que me faz pensar mais uma vez no privilégio que é poder colher e comer algo que você sabe como foi plantado e cuidado. Como é caso da minha família com meu tio Gustavo (pai do Vicente), o engenheiro mecânico que tem o dedo mais verde que eu conheço, sempre dando um jeito de se dedicar e de cuidar da horta lá no sítio. Garantindo para família toda verduras, legumes e ervas mil, tudo orgânico, puro e cheio de sabor.

Por isso fiz este post com bastante carinho, como uma forma de agradecer toda a minha família Dal Bó por esses momentos, especialmente Vicente pelo peixe e Gustavo pela horta.

(Vá direto pras receitas aqui)

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

Para as receitas que fiz nesse dia, é só clicar nas fotos:

  

  

 

Dia de Sítio

Passei a semana da Páscoa com a minha família, lá no interior do Rio Grande do Sul, na Serra Gaúcha. E alguns desses dias passei no sítio da nossa família. Registrei um dia típico de lá, quando toda a família está reunida, avó, tios e primos. Colhendo kiwis, tomatinhos, vagens, abóboras, alface, rúcula, pimentas e alecrim. E no final do dia a família inteira se reuniu para dar uma geral na horta do meu tio. A recompensa foi uma fornada de pão no forno a lenha que ele faz tão bem. Nada mais gratificante.

Sempre tive o privilégio de viver uma vida meio urbana meio rural quando morava no sul, com um contato muito próximo com a terra. Depois de mudar para São Paulo, cada vez que vou pra lá, passar um tempo no sítio é quase necessário.

Recentemente li um livro do jornalista Michael Pollan chamado Em Defesa da Comida, onde ele faz um manifesto em defesa da comida de verdade. Com dicas muito claras como “Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida” ou “Evite comidas contendo ingredientes cujo nome você não possa pronunciar”  e ainda “Não coma nada que não possa um dia apodrecer”. Indico esse livro pra todo mundo!

Nesse último ano, desde que comecei o blog, isso tudo faz cada vez mais sentido pra mim. A diferença da relação que você passa a ter com a comida e com o ato de preparar seu próprio alimento é incrível e sempre gratificante. Se você não tem o privilégio de poder viver a vida do campo de vez em quando, pelo menos tente se relacionar mais de perto com os ingredientes e com a comida que você consome. Vale a pena 🙂

  

  

  

  

  

  

  

  

Colhendo Abobrinhas

No final do ano passado, fiquei alguns dias visitando minha família, e aqui mostro retratos de um dia no nosso sítio, entre Farroupilha e Carlos Barbosa, colhendo abobrinhas e suas flores, e depois testando duas receitas com elas: Bolo de Abobrinha com cobertura de Ricota com Mel e Flor de Abobrinha Frita recheada com Ricota e Manjericão.

Peguei o gosto por cozinha há muito tempo, então ter um sítio com uma horta bem cuidada é muito especial. E agora com o Cozinha Dal Bó sempre que vou pra lá tento arranjar um tempo para fazer algumas receitas especiais com coisas que eu mesmo posso colher. A relação com os ingredientes nessas experiências é completamente diferente. Passei a minha infância fazendo isso, então pra mim já foi normal, mas imagino que muita gente não, assim como não é pra mim hoje que moro nessa loucura de São Paulo. Colher sua própria comida, isso sim eu considero uma experiência de luxo.

Graças ao meu tio engenheiro, mas cujo hobby é ser agricultor e cuida das hortas como ninguém, lá no sítio sempre tem alguma coisa produzindo, seja temperos (tem um alecrim que é quase da minha altura), alcachofras, várias saladas (a melhor baby rúcula que já comi), seja as favas que usei nessa receita aqui. Ou então o mel que usei no bolo, que tinha sido colhido lá fazia apenas dois dias, mais fresco e puro impossível. Tudo 100% orgânico de verdade, com gosto de comida de verdade. Sinto muita saudade de não ter mais salada e legumes direto do sítio toda semana em casa.

Nesse dia que passei lá, foi dia de colher abobrinha. Pegamos o trator, meu irmão no volante e meu pai e eu na caçamba, e fomos até onde meu tio havia plantado uma carreira de abobrinhas, que estavam todas produzindo. Abobrinhas verdes de todos os tamanhos e suas maravilhosas flores. A beleza da flor com a abobrinha nascendo logo depois dela é incrível. Pra quem não conhecia a flor da abobrinha como comida, é bem típica na Itália. Aqui já é bem mais raro, mas minha mãe disse que minha nona fazia muito em casa. Pena não peguei a receita dela.

Dia de Capeletti, Torino, RS

Ainda na minha última viagem ao sul, além de registrar a Festa de Torino, tive outro prazer: registrar uma tarde de “confecção” de Capeletti. Alguns kilômetros de distância do salão paroquial de Torino, fica a casa da Dona Eva, que faz capeletti com suas irmãs. Quem me convidou para participar foi uma de suas irmãs, Nona Odila, que também é avó da minha prima e prima da minha avó, por isso chamo de Nona também (parece confuso mas é isso mesmo, no interior da serra quase todo mundo é parente). Junto de Eva e Odila, ajudaram também a sobrinha Neide, além de outra irmã, a Natalina. Além das nonas com a mão na massa, aproveitei para mostrar um pouco também os arredores da casa e um pouco dessa realidade que faz parte da minha infância.

Capeletti (ou Agnoline para alguns) para quem não sabe é essa massa recheada de carne com formato de um chapeuzinho (que é exatamente o que significa capeletti em italiano). Essa é a sopa clássica da Serra Gaúcha, servida em quase todos os restaurantes, cantinas e cozinhas de todas as casas da região, principalmente no inverno, claro.

Eva e suas irmãs fazem capelettis não como um trabalho fixo ou em grandes quantidades, e sim apenas encomendas pequenas, para alguns poucos restaurantes e familiares/conhecidos. O que deixa tudo ainda mais especial e com muito mais cuidado, dedicação e atenção. Fazer capeletti é uma arte, uma tradição e um trabalho árduo, foram horas e horas e a quantidade de capeletti parecia não aumentar. Além de conseguir ver de perto esse momento tive a alegria de fechar meus próprios capelettis. Uma experiência gastronômica que vou levar pra vida.

Trouxe para São Paulo um pouco e fiz uma bela sopa. O caldo foi com a consultoria da minha vó, que já cozinhou pra mim aqui. Não ficou exatamente igual ao dela, porque comida de vó não é fácil de copiar, mas ficou excelente! Aconselho a todo mundo tentar fazer em casa.

Festa de Colônia em Torino, RS

No mês passado, em uma visita à minha cidade natal, consegui registrar um evento que eu sempre gostei muito: uma típica Festa de Colônia do interior italiano da Serra Gaúcha. Desde quando comecei a fazer esse blog sempre tive a vontade de registrar e mostrar aqui um pouco desses eventos do interior, que fazem parte da minha infância e da história da minha família.

A festa que participei foi a de Santa Ana, em Torino, uma comunidade que fica no interior de Carlos Barbosa, minha cidade natal. Um almoço para mais ou menos 400 pessoas, no salão paroquial, que fica em frente à igreja da localidade de Torino. No interior da Serra Gaúcha esse tipo de festa é muito comum, e acontece quase todo final de semana, em algum dos inúmeros salões espalhados nas comunidades ao redor das “grandes” cidades – como Farroupilha, Carlos Barbosa, Garibaldi e Bento Gonçalves – todas com colonização italiana.

Essa região onde nasci e cresci foi colonizada 100% por italianos. Até hoje as nossas tradições, costumes e culinária italianas são muito fortes. Meus avós (meus nonnos) falavam italiano dentro de casa, um italiano antigo chamado Dialeto Vêneto, que veio junto com os seus antepassados, uns 150 anos atrás.

Por isso a culinária da Serra Gaúcha mistura o churrasco do gaúcho com a comida dos imigrantes italianos. Por isso nunca falta massa, com molho ou na sopa, pão e vinho tinto. E um almoço de colônia mistura isso tudo. Sopa, carne lessa, pien, massa, maionese e churrasco. A comida mais típica da minha região.

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